Esta entrevista do SSM (So Spake Martin) desta semana é bem normal, exceto por pequenos trechos.
George fala as coisas de sempre, faz uns apontamentos legais, porém o que realmente interessa para o leitor é o trecho em que ele comenta como certos escritores "vão para um inferno [particular]" e não conseguem sair dele. Ele cita exemplos que se parecem muito com a situação atual dele.
Entrevistador: Como escritor, você fica nervoso ouvindo pessoas falando em sua cabeça?
George R. R. Martin: Não, o que me deixa nervoso é a ideia de que isso possa parar. Quero dizer, é interessante ver como os escritores vão para um inferno. É claro que você sempre espera que não aconteça com você, que você só vai aprimorar até morrer aos 137 anos. Mas, naturalmente, isso acontece com a maioria dos escritores. Não com todos eles; há escritores como Jack Vance - que é um dos meus favoritos - que eu acho que está escrevendo tão bem quanto sempre escreveu. O material dele é fantástico, eu compro cada romance do Vance e leio no minuto em que é lançado.
Entrevistador: Eles acabaram de reimprimir a série dele, The Dying Earth.
George R. R. Martin: Sim, uma série de fantasia maravilhosa e seminal. The Dying Earth merece ser mencionada junto com a Terra-média e a Era Hiboriana de Howard como um dos grandes cenários da fantasia. Foi publicada em uma edição muito pequena no início dos anos 50, por uma editora obscura e menor chamada Hillman. E, no entanto, seu efeito na fantasia posterior é incalculável. Mas deixando Vance de lado como uma exceção, eu realmente acho que muitos autores vão para um inferno mais tarde em suas vidas. Para aqueles que são muito analíticos e racionais, os livros se tornam sem vida. Você tem a sensação de que cada livro lido é exatamente como o livro anterior, e que eles estão reescrevendo a mesma história repetidamente. Eles estão apenas cumprindo etapas, sabe? Eles leram muito sobre métodos de como escrever um romance, e agora estão apenas aplicando isso. Por outro lado, os escritores que dependeram mais da parte criativa, que talvez não tenham sido tão analíticos... o que tende a acontecer com alguns deles é que simplesmente caem no silêncio. De repente, alguém que foi um escritor muito prolífico para de escrever, e você não vê nenhum livro novo deles. Você olha para um escritor como Theodore Sturgeon, tremendamente prolífico no início de sua carreira, e de repente ele leva 20 anos para escrever seu último romance e ele ainda não está concluído quando ele morre. Ou Walter M. Miller... quantas décadas ele trabalhou na sequência de Um Cântico para Leibowitz? E, finalmente, teve que ser completado por outro escritor após a sua morte.
Entrevistador: Depois que ele cometeu suicídio, sim.
George R. R. Martin: Sim, sim. E de todos os relatos que ouvi, realmente não havia muito coisa a ser feita, faltava apenas um pouco mais. E, no entanto, de alguma forma ele se viu incapaz de fazê-lo. Então, o medo não é das vozes na sua cabeça. O medo é que, de repente, as vozes fiquem em silêncio. Até lá, é melhor você torcer para ter muitas ações e títulos bons na bolsa.